MASLD: o que é a nova nomenclatura da gordura no fígado
Em junho de 2023, as principais sociedades hepatológicas internacionais — incluindo a American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD) e a European Association for the Study of the Liver (EASL) — propuseram de forma consensual a nova nomenclatura MASLD (Metabolic dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease) para substituir a antiga e amplamente difundida sigla NAFLD. A mudança não é meramente terminológica ou de marketing médico: ela representa uma mudança de paradigma conceitual que enfatiza a relação intrínseca e inseparável entre esteatose hepática e disfunção metabólica sistêmica, posicionando a doença como uma manifestação visceral de um espectro metabólico mais amplo.
Por que a nomenclatura importa clinicamente
A antiga sigla NAFLD (Non-Alcoholic Fatty Liver Disease) focava exclusivamente no que a doença *não* era — isto é, uma condição relacionada ao consumo excessivo de álcool. Essa abordagem negativa deixava de fora a compreensão fisiopatológica central: a doença é, na grande maioria dos casos, uma manifestação hepática direta da disfunção metabólica, frequentemente associada à síndrome metabólica, resistência à insulina de grau variável, obesidade visceral e dislipidemia aterogênica. A nova nomenclatura MASLD foca assertivamente no que a doença *é*: uma condição sistêmica com repercussões hepáticas que exigem abordagem multidisciplinar integrada.
Diagnóstico moderno e abordagem terapêutica integrada
O diagnóstico atualmente combina critérios de imagem (ultrassom abdominal, elastografia por vibração controlada transitória ou ressonância magnética com quantificação de prótons) com marcadores bioquímicos e escores não invasivos de fibrose (NAFLD Fibrosis Score, FIB-4, ELF). A abordagem terapêutica exige tratamento integrado e coordenado: perda de peso sustentável (evidências mostram que mesmo 5-10% de redução ponderal já revertem significativamente a esteatose e melhoram a inflamação hepática), controle glicêmico adequado, atividade física regular com componentes aeróbico e de resistência, e, quando indicado após avaliação individualizada, farmacoterapia específica com resmetirom, semaglutida ou pioglitazona. O acompanhamento multidisciplinar é absolutamente essencial para prevenir a progressão silenciosa para esteatohepatite (MASH), fibrose avançada e suas complicações.
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