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Obesidade

Obesidade exige cuidado crônico: uma consulta não resolve

18 de abril de 20252 min de leituraPor Dr. Márcio de Sá Mello

A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. Assim como diabetes, hipertensão e asma, ela exige monitoramento contínuo — não existe cura definitiva em uma única consulta. Infelizmente, ainda prevalece a ilusão de que basta receitar um medicamento, incluindo os modernos análogos de incretinas (semaglutida, tirzepatida e outros agonistas de GLP-1), para que o problema se resolva magicamente.

O perigo das "canetas emagrecedoras" sem acompanhamento

Os análogos de incretinas revolucionaram a medicina metabólica, mas não são balas de prata. Estudos clínicos rigorosos demonstram que a interrupção do tratamento leva a reganho acentuado de peso. Na extensão do ensaio STEP 1, publicada em *Diabetes, Obesity and Metabolism* (Wilding e colaboradores, 2022), pacientes que interromperam a semaglutida recuperaram, em um ano, aproximadamente dois terços do peso perdido durante o tratamento ativo — com piora paralela dos marcadores cardiometabólicos. Já o ensaio SURMOUNT-4, publicado no *JAMA* (Aronne e colaboradores, 2024), mostrou que adultos com obesidade que suspenderam a tirzepatida experimentaram reganho progressivo e substancial, com reversão de grande parte dos benefícios metabólicos alcançados.

Reganho e o efeito da perda de massa magra

A perda de peso induzida por análogos de incretinas nem sempre é seletiva: há redução não apenas da gordura, mas também de massa magra — especialmente músculo esquelético. A massa magra é o principal determinante do metabolismo basal; sua perda reduz o gasto energético em repouso, criando um terreno fértil para reganho de gordura. Revisão publicada no *Lancet Diabetes & Endocrinology* (Prado, Phillips e colaboradores, 2024) alerta para a necessidade de estratégias clínicas — nutricionais, de exercício resistido e de monitoramento da composição corporal — que preservem o músculo durante e após o tratamento farmacológico.

A frequência do acompanhamento importa — e muito

A evidência científica é clara: quanto mais frequente e estruturado o acompanhamento, melhores os resultados de longo prazo. A meta-análise de Middleton, Patidar e Perri publicada em *Obesity Reviews* (2012) demonstrou que programas de cuidado estendido, com contatos regulares entre paciente e equipe, são significativamente mais eficazes na manutenção da perda ponderal do que intervenções pontuais. A obesidade comporta-se como qualquer outra doença crônica: exige consultas periódicas, não receitas espaçadas por trimestres ou semestres.

Como funciona na prática na Clínica Bari Plena

Na nossa clínica, o acompanhamento é mensal e individualizado. Cada consulta inclui revisão clínica, análise laboratorial quando indicada, ajuste do plano nutricional, monitoramento da composição corporal por bioimpedância segmental e avaliação da resposta ao tratamento farmacológico — sempre com foco na preservação da massa magra. Obesidade não se trata com prescrição isolada; trata-se com relação médico-paciente de longo prazo, baseada em evidências e em cuidado contínuo.

Referências

1. Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. *Diabetes Obes Metab.* 2022;24(8):1553-1564. doi:10.1111/dom.14725 2. Aronne LJ, Sattar N, Horn DB, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. *JAMA.* 2024;331(1):38-48. doi:10.1001/jama.2023.24945 3. Prado CM, Phillips SM, Gonzalez MC, Heymsfield SB. Muscle matters: the effects of medically induced weight loss on skeletal muscle. *Lancet Diabetes Endocrinol.* 2024;12(11):785-787. doi:10.1016/S2213-8587(24)00272-9 4. Middleton KMR, Patidar SM, Perri MG. The impact of extended care on the long-term maintenance of weight loss: a systematic review and meta-analysis. *Obes Rev.* 2012;13(6):509-517. doi:10.1111/j.1467-789X.2011.00972.x

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